quinta-feira, 24 de abril de 2008

A Estrada Não Conhecida


Há três semanas atrás, tive uma experiência interessante, fiz um pão depois de vinte anos. Tudo parecia muito semelhante, misturar os ingredientes, colocar a massa para descansar e por fim, levá-la ao forno pelo tempo necessário e tudo estaria pronto! O pão estaria a mesa. Ao menos era assim que eu me lembrava, mas na prática, tudo veio a ser diferente. A primeira tentativa foi frustrante, misturei todo o açúcar com o fermento e isso fez com que a primeira massa não crescesse como era esperado. Tive de limpar todos os utensílios e pesar todos os ingredientes novamente. Desta vez procurei as orientações da professora para saber onde tinha errado, foi então que percebi que para este tipo de massa, eu não poderia misturar todo o açúcar de uma vez só, como eu fazia na minha adolescência, antes, deveria usar apenas duas colheres de açúcar, misturar primeiramente com o fermento e, passo a passo, ir adicionando a farinha e por fim, a água. Caso eu não seguisse estas instruções, bem como, esta ordem, a minha massa jamais iria crescer. Fiz como ela tinha dito e para minha alegria, a massa cresceu e com ela, pude fazer o pão de cevada que estava buscando no final. Por sinal, ficou ótimo, assim como os demais pães que foram feitos naquele dia pelos outros alunos.
Voltando para casa, pude perceber que nem sempre nossas experiências no passado podem nos dizer que caminho devemos tomar.Por mais que elas nos sirvam de base, sempre estaremos vivendo novas experiências que necessitarão de novas decisões,posicionamento e atitudes que poderão ser diferentes das que no passado tomaríamos. E assim, tem sido desde o meu último relacionamento.
Procurei seguir a voz da minha “experiência”, busquei esquecer, estar com outras pessoas, etc., mas demorei a perceber que minha “massa” não crescia. Sendo cabeça dura como sou, insisti, mais uma vez, mais uma, mais uma...tantas e tantas vezes o orgulho pudesse estar presente a me motivar, mas nem sinal da massa dar sinal de vida. Não havia crescimento. Vi-me assim perdido diante de duas estradas, uma na qual eu permanecia insistindo, um antigo caminho que eu até então conhecia bem e outro que jamais havia enxergado. Como não havia como percorrer as duas para saber qual delas é a melhor para mim, fiquei, como um viajante, um bom tempo ali parado, pedindo discernimento a Deus para saber que caminho trilhar. Depois de muito pedir a Deus, mesmo relutante diante do que ouvia, pois o sentimento até então, era de permanecer neste velho caminho,pois eu já o conhecia. Escutei a voz. Olhei mais uma vez a antiga estrada até tão longe eu pudesse ver e vi cada queda, cada dor e sofrimento que marcavam o caminho até onde fazia uma curva que se perdia em meio as minhas desilusões. Voltei-me então os meus olhos para o novo caminho e meio que inseguro, mas confiante nas palavras de confiança e de dependência em Deus, comecei a trilhar a estrada não conhecida, um pouco mais maduro, sofrido e sem pretensão maior, porque até então somente o deserto vinha sendo a paisagem que tinha diante de mim. Após algum tempo de caminhada, começei a sentir, mesmo que suavemente, o cheiro de grama molhada ao longo desse novo caminho, as coisas pareciam estar a mudar, mas eu não consigo ver o restante da paisagem, pois cheguei a uma montanha que cortava a estrada, se interpondo entre o que eu sentia e o que esperava encontrar. A montanha era íngreme e por algumas vezes tentei escalá-la, porém, sem sucesso. O peso que até então eu vinha carregando, era demais para mim, era preciso deixá-lo para trás. E assim como foi no início da jornada, quando abri mão da minha independência, era preciso agora, abrir mão do que me era tão precioso. E assim o fiz, deixei o meu passado ali aos pés da montanha, mesmo não sabendo se estava certo, desconhecendo por completo o que se encontra por detrás desta montanha, mas naquele momento, dei o primeiro passo, deixando para trás as lembranças, cobertas por folhas que não haviam sido pisadas. E comecei a subir, deixando com que cada caminho ao longo dessa subida me levasse a outro. Ainda continuo a subir. De onde estou, ainda consigo ver o que deixei para trás e que para mim foi muito difícil abrir mão. Olho para o cume e vejo o quanto ainda estou distante. Creio que só o tempo poderá me consolar agora, pois onde estou é solitário e a noite faz muito frio. Mas não há outro lugar que eu gostaria de estar, pois não há lugar onde se possa estar mais perto do céu, tão azul e sem nuvens e sentir a presença de Deus, bem como, enxergar melhor todo o vale e perceber que duas estradas separavam a minha vida e que hoje eu escolhi a menos percorrida a qual pode vir a fazer toda a diferença...

Fica com Deus...

ps: para uma amiga especial que sempre esta presente na mina vida e que tem feito do MALU dias unicos...=)

domingo, 30 de março de 2008

Deixe Deus forjar sua vida...


"A espada é a alma do Samurai" diz a regras do Bushido*. Símbolo de coragem e lealdade, a espada era a arma favorita de um samurai. Houve uma época em que surgiu um grande fabricante de espadas, o nome dele era Masamune, até hoje, considerado o grande mestre desta arte, pois suas armas eram imbatíveis em combate na mão de grande guerreiro. Não havia outro artesão como Masamune. Mas o que diferenciava suas armas das demais? A resposta se encontra no processo de fabricação de suas espadas. Masamune, ao contrário dos demais artesãos, fazia uso das "impurezas" decorrentes do processo de purificação do aço. Enquanto os demais fabricantes procuravam usar apenas o que havia de melhor, de mais "puro" do aço em suas espadas, tornando-as fortes e duras, Masamune, misturava de um modo singular, as impurezas com o que havia de melhor, tornando a espada não somente fortes, mas também flexíveis, capazes de suportar o impacto dos ataque dos seus inimigos, o que as outras espadas não conseguiam por muito tempo, mesmo sendo fortes e tendo sido forjadas do aço mais puro. Elas se quebravam em batalha, enquanto que, as de Masamune permaneciam imbatíveis, pois na sua fraqueza encontravam o que havia de melhor e mais forte em si mesmas.
Assim somos nós, mesmo quando não conseguimos entender o processo de fabricação do forjador de nossas vidas. Cremos que, se Deus tirar tudo o que nos faz sofrer, tudo o que nos limita, tudo o que pode nos levar ao sofirmento, seremos imbatíveis e conseguiremos vencer as tentações e lutas, porém, assim como as demais espadas, nos consideraríamos as melhores pessoas do mundo, "santos" e "puros". Paulo em sua carta aos coríntios disse: " E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim." (2 Coríntios 12:7-8). Deus, assim como Masamune, faz uso de nossas fraquezas, do nosso sofrimento, trasformando algo que seria ruim a priori, em algo bom, para nos moldar de modo inimaginável o nosso caráter, assim como foi com Paulo. É tanto que, após Paulo pedir a Deus para tirar o espinho e este mais uma vez recusar, este lhe dá a seguinte explicação: "A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2 Coríntios 12:9). Paulo, que outrora se julgara um grande mestre da lei, aprende através do seu sofrimento, de suas tribulações a depender unicamente da graça de Deus (Filipenses 3: 4-11). Isto nos faz lembrar que, segundo a religião Shinto, seguida pelos antigos guerreiros, a espada seguia as "vibrações" de quem a forjava. Quando nos achamos "bons" o suficiente para suportarmos sozinhos as tribulações da vida, esquecemos facilmente de Deus. Todavia, quando não nos achamos dignos, quando clamamos por misericórdia, visto nossas fraquezas, tendemos a nos voltar mais para Deus e nos entregarmos completamente em Suas mãos. Foi isto que Paulo entendeu: "De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo" (2 Coríntios 12:9).
E você? Como você tem encarado a si mesmo? Como você tem enxergado as adversidades e lutas pelas quais você tem passado?
Dizem aqueles que ainda hoje procuram seguir o processo de fabricação de Masamune que, ao longo do processo, o pedaço de aço é cortado, dobrado e batido por diversas vezes, quando não se encontra envolto pelo calor do fogo da fornalha. É tanto que as espadas de Masamune apresentava muito mais veios do que qualquer outra espada. Isto por acaso não nos faz lembrar das palavras de Paulo que após alcançar a maturidade espiritual afirmava: "Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte." (2 Coríntios 12:10). Somente uma pessoa madura e que passou pelo deserto da vida pode afirmar que sente prazer no sofrimento.
Será que poderíamos afirmar com convicção estas mesmas palavras? Paulo compreendeu que o sofrimento é uma oportunidade única de Deus trabalhar em nossas vidas, de nos aproximarmos dEle e gozar de Sua presença a nos moldar segundo o caráter do seu filho. Tiago também em sua carta, mencionou: "Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes" (Tiago 1:2-4).
Quando Paulo se entregou por completo nas mãos de Deus, como aquele pedaço de aço que se entrega nas mãos do forjador, Paulo foi moldado por Deus de tal modo que o orgulho que outrora existia, não mais se encontrava no coração de Paulo, antes, um espírito humilde e dependente de Deus, mas acima de tudo, uma espada pronta para ser usada pelo Espírito.
Você tem passado por dificuldades? Você tem se sentido incapaz diante das tribulações? Não sabe como resolvê-las? Saiba meu irmão, que Deus quer que você fique forte, permitindo que Ele trabalhe e molde sua vida, enxergue esse momento como uma oportunidade para crescer, pois quando visto do modo correto, o sofrimento pode trazer grandeza à vida Como certa vez afirmou, A.W. Tozer: " É duvidoso que Deus abençõe grandemente um homem enquanto não o fere profundamente".

Fiquem com Deus!!!

* Bushido significa "o caminho do guerreiro".Era um codigo de conduta não escrito e um modo de vida para o samurai que tinha neste, como maior principio, uma morte com dignidade.

terça-feira, 11 de março de 2008

A Música da vida...



Você já parou para ouvir a música da vida hoje ou você continua envolto pelo silêncio? Essa foi a pergunta que me fiz hoje após deixar a sala de cinema no começo da noite, depois ter assistido ao filme “August Rush - Som do Coração”. O mesmo conta a história do jovem prodígio musical Evan que deixa o orfanato para encontrar os pais, pois foi separado deles em seu nascimento. Ao longo de sua jornada, Evan aproveita cada momento, cada oportunidade para tocar a sua musica, pois acredita que seus pais irão ouvir e deste modo, eles o encontrarão. Esta busca, esta sede que Evan tem deste encontro, faz com que ele venha a compor as mais belas musicas. É incrível o seu empenho e dedicação em tocá-la, muitos ficam admirados com o seu talento, alguns procuram se aproveitar do mesmo, outros querem apenas aproveitar e se deleitar com sua melodia, mas algo é comum à todos, a sua música toca profundamente a todos que cruzam o seu caminho e o mais interessante disto é que, quando questionado sobre a razão de tocar sua música e de onde vem a mesma, só há uma resposta: daqueles que me deram a mesma...a música é para meus pais.
Quando paro para pensar nisto, as palavras de Paulo aos colossenses vem ao meu coração, quando este afirma que “tudo, absolutamente tudo, nos céus e na terra, visível ou invisível (...) todas as coisa começaram nEle e nEle encontram seu propósito” (Colossenses 1.16). Em Deus, nosso Pai, encontramos a razão de nossa existência, da nossa vida, da nossa música. Afinal de contas, quantos já não ouviram a expressão: vida é música!
A vida sem música não teria graça, não teria cor, seria como um filme mudo em preto & branco. A música embala tão docemente a nossa vida, nos leva a sonhar, nos emociona, nos alegra, nos conforta nos momentos difíceis. Muitos dirão que é bem mais fácil viver num mundo sem televisão, mas como viver sem música?
Sem música, a vida seria um erro, como afirmou Nietsche. E assim é a nossa vida, quando não paramos para ouvir a música do Espírito que se faz presente a cada momento quando nos permitimos sermos seu instrumento musical. É assim que Ele procura se expressar, por meio de nós, produzindo tons numa ordem específica para apresentar uma obra de beleza e interesse aos outros que param, simplesmente, para ouvir e se deixar levar pela harmonia que nossa vida produz, afinal, música é vida!
E quando nos permitimos, quando deixamos que o Espírito toque profundamente o nosso ser, saiba que quando isto acontecer, você, assim como o nosso personagem, estará alcançando os ouvidos do Seu Pai que tanto lhe ama e que tanto quer estar com você, afinal, “fomos gerados para louvor de Sua glória” (Efésios 1.6).

Deus os abençoe =)

Dedico este texto a uma pessoa que tem se feito presente de modo especial em minha vida, como instrumento de Deus e um ombro amigo em todos os momentos de nossa caminhada...meu querido amigo Pr. Tullio.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Ao seu lado...


Hoje encontrei a razão para o que há muito eu procurava em minha vida. Felicidade.
Por muito tempo a procurei, porém sem qualquer sucesso. Sempre acreditei que poderia encontrá-la ao longo do meu caminho, mas ela sempre se encontrou ao meu lado, eu é que nunca a percebi...
Porém, voltando essa semana de Campina Grande, pude perceber que algo estava diferente, pude sentir a brisa suave a me abraçar carinhosamente em meio ao silêncio que percorria a estrada sob o céu azul do caminho de volta para casa. Deus se fazia presente naquele momento como há muito eu não O sentia. E como um viajante, que começa a sua jornada, percebi que estava sentado já fazia algum tempo no lugar errado da condução de minha vida. Deus sempre me quis no lugar do passageiro, para que eu pudesse contemplar aquela bela paisagem que se estendia por todo horizonte. Mas nem sempre foi assim, demorou até este dia para que eu pudesse perceber que há muito eu me prendia atrás do caminhão das adversidades que obstruía a minha visão.
Por muito tempo me preocupei qual seria o momento certo para ultrapassá-lo e quando isto iria acontecer. Mas as horas se passavam e a vida, assim como o velocímetro, mostrava-me que tinha pressa, mas por quê? Por que perder a oportunidade de admirar o belo ao invés de prestar atenção apenas ao frio e cinzento asfalto de nossa caminhada? Quão grande foi o meu prazer em entregar a direção para alguém muito mais experiente, de me permitir descansar ao seu lado, no banco do passageiro e com os olhos voltados para a janela, me embriagar com o entardecer de mais um dia que se vai por meio dos morros que delineavam a paisagem e com as aves do céu que em meio à imensidão do espaço acima de mim externavam o significado mais simples e majestoso que possa definir o que venha a ser liberdade. Liberdade para ir e vir, assim como o espírito que permeia o coração de todos aqueles que fizeram a opção de entregar-lhe a direção de suas vidas. Não preciso mais de carteira de habilitação, o verdadeiro prazer de viajar encontrei em estar no banco de passageiro, onde eu não preciso me preocupar com mais nada, além de usufruir da alegria que se encontra em estar ali, naquele exato momento, gozando da presença dAquele que sabe qual o melhor caminho ou momento pra ultrapassar, diminuir a velocidade, acelerar...enfim, de como chegar ao fim de nossa viagem. E onde esta a felicidade? Encontra-se no simples fato de que percorrer a longa estrada da vida ao Seu lado é partilhar de tudo o que há de mais verdadeiro, seja em estar sozinho e sentir sua presença a nos confortar, transformando os nossos erros em tesouros que moldarão as nossas vidas ou na companhia de um amigo que nos alegra com um simples sorriso ou com uma palavra sincera ao longo de nossa viagem. Seja como for, quando você se permite viajar no banco do passageiro, nosso Senhor conduz nossas vidas em meio as dores, os medos e os sofrimentos que possam se colocar diante de nós, e quando menos percebermos, iremos alcançar a felicidade e esta irá inundar o nosso coração assim como a beleza da paisagem daquela tarde que encheu de luz os outrora negros vales do meu olhar...
Obrigado Senhor por tudo...

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

A Lenda de Mahasti


Existe uma lenda árabe de que há muito tempo atrás um profeta de nome Kadriya afirmou que numa data determinada no período da faca uma jovem chamada Naadirah nasceria com a marca de MAHIN. Somente uma mulher prestou atenção, Mara que a muito buscava obter os segredos de Mahin. Como Kadriya previra, uma jovem chamada Naadirah, como um raio de luz que desponta no longiquo horizonte dissipando o frio da noite, nasceu e cresceu se tornando uma das mais belas dentre as mulheres do seu povoado. Ela era como as rosas do campo, seu olhar era como mar a refletir o brilho do sol em uma quente manhã de verão, mas a sua beleza não residia apenas em suas feições, antes a marca de Mahin estava presente em seu coração. Naadirah destilava doçura e pureza de espírito. Como uma flor que envolve à todos que se encontram ao seu redor, assim era Naadirah. Mara que desconhecia tal sentimento, dominada pela inveja, presenteou a Naadirah com um pequeno frasco de perfume. Ele era doce e embriagante como o vinho na boca, ma s amargo à alma, quem dele fizesse uso, as raízes de amargura se impregnariam no espírito, manchando para sempre a pura essência de Mahin. Desconhecendo as intenções de Mara, Naadirah de bom grado aceitou e, inocentemente, passou a usá-lo todos os dias. Com o tempo, Naadirah esqueceu o doce aroma que antes exalava o seu coração, o único perfume que agora reconhecia era o de Mara. O que era doce passou a ser amargo. Naadirah já não era mais a encantadora e meiga jovem que todos conheciam, desacreditava do amor e do sabor da vida, sentia-se só e isto inundava seu coração de dor e sofrimento, somente os mais antigos camponeses lembravam de quem ela havia sido um dia. Tudo fazia crer que Mara havia vencido. O coração de Naadirah havia endurecido.
Certo dia, porém, enquanto retirava água do poço, uma bela jovem de nome Fadiyah se aproximou de Naadirah e pediu-lhe um pouco de água para aplacar a sede. Naadirah serviu-lhe um copo de água e em troca do seu favor, Fadiyah, que na verdade era uma Malak, deu-lhe um novo frasco de perfume. A principio Naadirah não quis aceitar, pois há muito já usava o que Mara havia lhe dado. Fadiyah olho nos olhos de Naadirah e lhe disse:
- Não quero que te percas, ao contrário, que encontres o teu coração e assim , a vida (2Pe3.9). Volte, retome a sua vida, não se deixe enganar pelos teus sentimentos, vire a página de tua vida, o presente é teu e o futuro por ti será escrito dependendo do que hoje quiserdes para ti. Tome este frasco e deixe que um novo perfume permeie a sua vida.
O frasco por fora não chamava a atenção, mas quando Naadirah decidiu e dele fez uso, algo maravilhoso aconteceu. Como uma torrente de águas cristalinas, o perfume penetrou a sua pele, transpassando o seu espírito que se encontrava envenenado e preso ao amargor do perfume de Mara. Seu coração batia novamente, a luz que outrora havia se perdido, invadiu os recônditos de sua alma, varrendo os quartos escuros do seu passado, permitindo que o brilho de uma nova manhã resplandecesse a antiga beleza, mas com um brilho diferente, a marca de Mahin desaparecerá, outra marca mais bela aparecera, a marca de Mahasti que para sempre permaneceria visível em seu coração.


Significado dos nomes:

Fadiyah - redentora
Kadriyah – destino
Mahin – ligada com a lua
Mahasti – você é a lua
Malak - anjo
Mara - amarga
Naadirah - preciosa


Dedico esse texto a uma PEssoinha PErfeitinha e maravilhosa, uma verdardeiro brilho do luar, alguém que tenho conhecido e que tem me encantado com o seu sorriso, suas palavras e graça preciosa, uma verdadeira Naadirah!

Marcus Aranha

domingo, 7 de outubro de 2007

E aí José?



Há alguns dias atrás conheci a história de José, um jovem programador recém-formado em uma das melhores universidades do país nesta área. José tinha pouco mais que vinte anos de idade e já era considerado um dos mais promissores programadores do mundo, tendo recebido convites da Dell, Apple, IBM e outras empresas interessadas em lhe contratar, porém, José aproveitou o bom momento para fechar um contrato único com a maior empresa do mercado, a Microsoft, devido a proposta de ele encabeçar um projeto em particular que consumiria um bom tempo de sua vida, mas que iria revolucionar o mercado mundial e José não poderia perder esta oportunidade. Era o grande projeto de sua vida. Após alguns dias, depois de ter acordado com a Microsoft, José embarcou para os Estados Unidos onde iria morar e trabalhar. Quando chegou ao país onde permaneceria por alguns anos, José procurou logo se adequar ao novo contexto, procurou comprar as mesmas roupas que as pessoas usavam, adquiriu gestos e hábitos que até então eram considerados impróprios em seu país, mas nada importava mais para José do que ser aceito pelos outros, principalmente, pelos seus colegas de trabalho. Deste modo, logo José se esqueceu do seu principal objetivo quando partiu de Campina Grande. Mesmo estando distante do seu povo, encontrou alguns brasileiros que o advertiram, porém não surtiu resultado.
Com o tempo, José já não escrevia mais para os seus amigos em Campina, já não era mais o mesmo José que partira em busca dos seus sonhos, seu pai percebendo o que acontecera não tardou em enviar o seu filho mais velho o qual levava consigo uma mensagem do seu amado pai no intuito de ajudar José a enxergar o caminho que ele estava trilhando e que este retomasse o seu projeto inicial quando partiu em sua viagem. A presença do seu irmão, bem como, a mensagem que o seu pai enviara sacudiu a alma de José, onde começou a aflorar a lembrança de sua origem e propósito. Ele havia acordado.
José retomou o propósito de sua ida aos Estados Unidos, deixando para trás o que para ele até então era prioridade, quando na verdade, deveriam estar em segundo plano. Em pouco mais que quatro anos, José concluiu o seu projeto. Foi um sucesso de vendas, com isto, José conseguiu obter uma considerável participação nos lucros, se tornando um dos mais bem pagos funcionários da empresa. Pouco meses depois, José retornou para sua cidade natal sendo recebido ainda no aeroporto pelo seu irmão mais velho e pelo Seu amado Pai que não esperou o mesmo sair do check-out para correr em sua direção, abraça-lo e dizer o quanto o amava. Quando chegou em casa, percebera que verdadeiramente ele era, reafirmara suas origens com maior convicção e consciência do
que na época que partiu dali.

E você? Quem é você?
Você sabe qual o propósito de sua vida? Suas atitudes, hábitos e palavras, enfim...sua vida, refletem este propósito?
O que diria o seu pai hoje para você? Ele se agradaria do caminho pelo qual estais andando?
Pense nisso!!

Deus o ama e quer estar junto de você a cada passo de sua vida!!!

Marcus Aranha

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Mena e o jovem à beira do lago


Há muito tempo, um certo jovem crescerá à margens do rio Vandri, seu nome era Mena e desde cedo demonstrara grande sabedoria e apreço pelos ritos e doutrinas de sua religião. Tornou-se com o tempo um dos maiores discípulo da casa Zargoon, Deus do Fogo e com grande zelo defendia suas verdades a ponto de perseguir seus opositores. Certa noite, enquanto discorria à beira do rio, sob a luz do luar, para um grupo de jovens sobre os problemas da vida de natureza moral e do quanto isso impedia o crescimento espiritual, teve suas colocações interrompidas por poucas palavras. Alguém estava recitando os versos de Zargoon, de modo inapropriado do outro lado do rio. Como zeloso guardador dos ritos sagrados e mestre pensou de imediato que era o seu dever atravessar o rio e corrigir aquele homem que, fosse por ignorância ou falta de orientação estava emitindo erroneamente a oração. Tomou o barco mais próximo e partiu em direção da outra margem.
“Como acha-lo se não tenho fogo para iluminar o meu caminho?” – pensou Mena – “ Ó Zargoon, quão grande é o teu poder e majestade, quisera que eu como teu fiel discípulo tivesse o conhecimento e o poder necessário para fazer o fogo e assim dissipar a escuridão que me separa deste infiel que não sabe o que faz!”
Tateando em meio à cerração da noite e guiado pelo som, Mena acabou encontrando um jovem deitado com a cabeça recostada sobre uma pedra à margem do rio e os olhos fitos nos céus, recitando os versos de Zargoon como Mena nunca tinha visto.
- Meu amigo – disse Mena – olhe para você! Isso não são modos de se colocar diante de Zargoon? Ainda mais, você está pronunciando incorretamente a oração. – Explicando logo em seguida como devia fazê-lo.
- Obrigado meu amigo – disse humildemente o jovem.
Tendo terminado seu trabalho ali, Mena se dirigiu ao barco, orgulho e satisfeito pelo que acabará de fazer. Afinal, há muito fora dito que, um homem de espírito puro pronunciando corretamente a oração de Zargoon poderia até mesmo criar o fogo. Fato que nunca virá antes, mas que tinha a esperança de um dia contemplar ou mesmo de realizar.
Caminhando em direção ao barco, Mena continuava refletindo sobre o tema que havia começado a discorrer no início da noite, sobre a malícia, a falta de moral e de como os homens apesar do conhecimento da verdade, persistem nos seus erros. Porém andando não mais que poucos metros, percebeu que não ouvia mais a oração do modo que ensinara.
“O que será que aconteceu?” – imaginou Mena.
Foi então que ouviu de modo vacilante a antiga oração ser novamente pronunciada. Irritado com aquela atitude, Mena se voltou para o local onde encontrará o jovem e se pôs a caminho com raiva em seus olhos, contudo, ao dar alguns passos, percebeu uma luz em meio às trevas vindo em sua direção. Era o jovem que, com uma chama de fogo em uma das mãos, iluminava o caminho por meio a escuridão. Espantando e sem palavras, Mena parou e esperou o jovem se aproximar. Quando este chegou junto de Mena lhe disse:
- Mestre, desculpe incomodá-lo mais uma vez, mas tive de vir aqui para lhe perguntar sobre a maneira que é frequentemente usada para pronunciar a oração que a pouco me ensinastes, pois a mesma é muito difícil de recordar...